Economia brasileira sem rumo

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Economia brasileira sem rumo

Economia teve queda de mais de 3% do PIB e inflação cresceu absurdamente

A economia brasileira termina 2015 em um péssimo cenário – afundada em uma recessão, revelada pela queda de mais de 3% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país), e com uma inflação na casa de dois dígitos, pela primeira vez em mais de uma década. São indicadores muito ruins, realmente – mas pior ainda são os sinais emitidos pelo governo brasileiro de que não sabe que rumo tomar para tirar o país desta crise. 

O principal deles é a  oscilação da própria presidente entre as propostas de austeridade fiscal e cortes de gastos, defendidas pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, e de apostas em novos incentivos e mais gastos, apoiadas, publicamente, por integrantes do PT e, com mais discrição, por integrantes do próprio governo.

 A semana terminou com a substituição do ministro da Fazenda,  depois de Levy ter sido novamente contrariado na condução da política econômica. No fim de agosto, dava-se como certo que ele pediria demissão após, contra a sua vontade, o governo enviar o inédito Orçamento com déficit ao Congresso. Joaquim Levy previa que a decisão levaria ao rebaixamento do Brasil. 

Não deu outra: a Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito do Brasil e o dólar disparou. O ministro da Fazenda acabou ficando, mas não deixou de defender os cortes nos gastos e uma meta de superávit primário. O governo acabou cedendo aos seus argumentos e a proposta de Orçamento incluiu novas medidas para ajuste fiscal e 0,7% de meta de superávit primário.

O agora ex-ministro conversou com senadores e deputados, mostrou que a manutenção dessa meta era fundamental para a credibilidade do ajuste nas contas. Não convenceu nem parte da base parlamentar e nem parte do governo. Na terça passada, o Planalto enviou ao Congresso uma nova (e reduzida) meta de superávit primário, de 0,5%, e ainda abria a possibilidade da meta ser zerada com abatimentos, em mais um sinal de que essa meta de economia pode não ser para valer.

Antes mesmo da proposta ser votada no Legislativo, mais uma agência de avaliação de risco – a Fitch – rebaixou a nota de crédito do Brasil. Era tão previsível pela paralisia da economia brasileira que nem houve grandes reações do mercado. O país segue andando para trás sem que o governo aponte o rumo para retomar o crescimento. 

A aprovação pelo Congresso do Orçamento para 2016 – inclusive com a prudente rejeição da possibilidade de fazer abatimentos para reduzir a meta fiscal – serviria, em outros tempos, para acalmar os setores produtivos, empresários e trabalhadores, que, com o governo apontando onde pretende gastar e economizar, também poderiam organizar seus próprios orçamentos. 

Entretanto, com tantos sinais divergentes emitidos por Dilma e sua equipe, ninguém pode ter certeza se esse Orçamento é mesmo para valer ou passaremos 2016 convivendo com contigenciamentos e revisões das metas. O Orçamento prevê, inclusive, cobrança de CPMF a partir de setembro – medida que sequer foi aprovada pelo Congresso, onde encontra muita resistência.

Há reformas estruturais no país – na Previdência, no regime tributário – que são urgentes. Eram essas as principais preocupações do ex-ministro Joaquim Levy, ao defender que a discussão econômica tem que ir além do ajuste fiscal. Transferido do Planejamento, o novo ministro, Nelson Barbosa, teve atritos com Joaquim Levy no atual governo por defender menos cortes de gastos, depois de ter assumido defendendo o ajuste. 

No primeiro governo Dilma, havia deixado o cargo de secretário-executivo da Fazenda com críticas ao desequilíbrio fiscal e à contabilidade criativa, apesar de ter sido um dos formuladores da política econômica que expandiu gastos. São também sinais desencontrados que aumentam as incertezas e só atrapalham o país. O governo precisa decidir – e mostrar com clareza – o caminho que vai tomar para recuperar a economia.

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